quinta-feira, 22 de novembro de 2012

MORDOMIA DO PENSAMENTO




A mordomia significa: Cargo ou ofício de mordomo [Do lat. vulg. majordomu, ‘o criado maior da casa’.]. 1.Administrador dos bens de uma casa, de uma irmandade, de uma confraria, etc.; ecônomo. 2.Serviçal encarregado da administração duma casa (1); mordomado. 2.Bras. Vantagens tais como moradia, condução, criadagem, alimentação, etc., proporcionadas pelo empregador (privado ou público) a certos executivos.


              



              Recebendo A Ministração De Deus Em Nossas Mentes

Testos básicos:
Fp 4.8; 1 Co 2.9-16; 1 Co 2.16

Pensamento. Ato ou efeito de pensar, refletir, meditar; processo mental que se concentra nas idéias; Faculdade de pensar logicamente; o produto do pensamento; idéia; Reflexão, meditação; Fantasia, sonho, imaginação, etc.

“as coisas que os olhos não viral, nem ouvidos ouviram...” (1 Co 2.9), ou seja o que o homem não pode aprender por si mesmo através dos seus sentidos físicos (vs. 9), Deus revelou através do seu Espírito Santo, aos que o amam. Para ter esse discernimento da revelação do pensamento de Deus, é preciso ter o Espírito de Cristo. É preciso nascer de novo no VS 12, Paulo estabelece um contrate entre o espírito do mundo e o Espírito que provem de Deus: o espírito do mundo é o pensamento carnal, o que o homem pode conhecer através dos seus sentidos físicos, com a sua mente desvirtuada pelo pecado; portanto, uma visão distorcida de si mesmo e de toda a criação.
O homem regenerado possui o Espírito que provem de Deus. A este homem é dado conhecer gratuitamente, por meio de Cristo, a plenitude da verdade “...nós temos a mente de Cristo”. Ter a mente de Cristo é pensar como o próprio Cristo e ter a sua natureza.
A ciência tem investido recursos imensos a fim de desvendar os segredos imensos a fim de desvendar os segredos da mente humana, mas muito pouco se sabe, na realidade, sobre como funciona o nosso cérebro. Não existem limites para o numero de coisa, números símbolos imagens, Sons, sensações que a nossa mente pode armazenar. O gosto, o cheiro, a imagem, o grito perdido no meio da multidão, algo bem simples que ocorra em fração mínima de segundo, pode puxar da memória dados dos locais, fatos perdidos remotos, pode acrescentar a todos esses cognitivos que só existirão em nosso pensamento. É o que chamamos memória: símbolos, sensações. Idéias que foram sendo gravados cumulativamente em nossa mente. O pensamento humano abrange quatros (4) fases distintas, a saber:
1ª – A memória, o que é acumulado nos registros do cérebro, através dos sentidos físicos.
2ª – A analise, a avaliação dos dados da memória, a reflexão.
3ª – A imaginação, ou fantasia o que só existe internamente, sem relação formal com a realidade externa, relacionada com as emoções, com os desejos inarticulados (que não produzem, nem se realizam) e sonhos.
4ª– A elaboração do pensamento (a associação entre os dados guardados na memória e a imaginação) em ordem, para ser aplicado à realidade externa, à vida.

Mente Santificada

O salmista diz: “escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti” Sl 119.11. Esconder, aqui, é guardar, do valor no intimo, deixar que a palavra penetre profundamente na alma, no subconsciente, devido ao amor devotado ao seu autor.
Nossa mente é abastecida pelos significados de tudo o que vemos , ouvimos, sentimos e fazemos. Ouvir, ler, meditar, decorar, interpretar profeticamente na maneira de viver, são os meios através dos quais a palavra de Deus penetra em nosso coração e limpa, purificando, santifica a nossa memória, dá-nos o discernimento espiritual da verdade. Ajuda-nos a conduzir nossa imaginação, nosso sonhos, na direção da santidade do autor da palavra. “como purificarão mancebo o seu caminho?” Sl 119.9, pergunta o salmista, para responder em seguida: “observando-o segundo a tua palavra”.
Pessoas que se queixam da não poderem controlar pensamentos de impureza, ira, cobiça, inveja, pode ver, são pessoas que não procuram guardar a palavra de Deus nos seus corações.
Num tempo de tanto misticismo (intensa devoção religiosa, que produz uma crença fanática de uma idéia), temos visto os maiores absurdos nesta matéria. Pessoa que usam versículos da Bíblia escritos em papeizinhos como patuás, colocam a Bíblia debaixo do travesseiro ou aberta no meio da sala, de preferência no salmo 91; fazem uma lista de pecados cometidos e jogam a lista na fogueira ou a soltam para o céu em balões de gás; nada disso corrige a vida impura e santifica a mente e nem da paz.
 A santidade da vida é o resultado da mente, que se adquire pelo conhecimento e pratica da palavra de Deus. Não há uma formula mágica, instantânea. É processo longo, não raro penoso, pois fere nossa estrutura mental pecaminosa, quanto mais à mente estiver saturada da palavra de Deus, mas pura Poderá ser a sua vida.
Sl 19.14 “Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, rocha minha e libertador meu!”

Sl 1.2 “Antes, tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite”.

Js 1.8 “Não se aparte da tua boca o livro desta Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho e, então, prudentemente te conduzirás”.

1Tm 4.15,16 “Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem”.

O Pensamento Dominado Pelo Amor

Rm 5.5 “E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado”. O amor de Deus foi nos dado quando da nossa conversão a Cristo, é o referencial absoluto para que a nossa mente tenha os pensamentos de Deus. Fp 4.8 “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. Vamos ver esta mesma verdade do lado avesso: “tudo o que é mentira, desonesto, injusto, odiável, de má-fama, se trás pecado ou condenação, Nisso Não Deveis Pensar”.
Como? O que faz diferença? É possível controlar os pensamentos? A resposta é o amor. Primeiro. Depois, o amor ao próximo, no mesmo nível do amor a si mesmo. À medida que o nosso pensamento for dominado pelo amor de Deus e ao nosso próximo, a nossa vida terá uma vida de paz. Fp 4.7 “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” Isto significa que esta além da nossa compreensão a natureza e a profundidade da paz que resulta de um pensamento direcionado pelo amor. O Amor prende e segura, da memória somente os dados positivos, benéficos. O amor não apagar da memória os fatos ruins, mas analisa-os á luz do perdão. Fp 2.5 De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. 1 Pd 4.1 “Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este pensamento: que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado”.
O amor torna impossível a gestação de fantasias malignas, de imaginação pecaminosa. O pensamento elaborado sob a tensão de um amor puro é sempre um pensamento construtivo. Produz paz e torna em nós a presença de Deus. Fp. 4.9 “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco”.

Pensamento Dominado Pela Fé

A mordomia do pensamento nos leva a ultrapassar a barreira do conhecimento através da fé. 2 Cr 20.20 “E, pela manhã cedo, se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa; e, saindo eles, pôs-se em pé Josafá e disse: Ouvi-me, ó Judá e vós, moradores de Jerusalém: Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis”. – Rm 10.8 “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos”.

O homem natural só acredita naquilo que os seus sentidos físicos podem captar Jo 20.24,25 “Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei”. Ele precisa ver alguma imagem, figura, um objeto material, um copo d’água, azeite escorrendo , precisa tocar com os dedos para poder crer.  “Depois, disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente”. Jo 20.27
Vs. 29 “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram!”
Mt 14.30,31 “Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me. E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o e disse-lhe: Homem de pequena fé, por que duvidaste?” Essa é a origem da idolatria.

A fé vê o invisível e espera pelo impossível. Dessa maneira, a fé abre a porta do infinito à nossa mente.
Mt 15.28 “Então, respondeu Jesus e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé. Seja isso feito para contigo, como tu desejas. E, desde aquela hora, a sua filha ficou sã”.
Mt 9:2 “E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, tem bom ânimo; perdoados te são os teus pecados”.
Mt 9:22 “E Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E imediatamente a mulher ficou sã”.

Não estamos limitando as informações guardadas em nossa memória, mas o nosso pensamento pode avançar, pode ousar sonhar com a vida eterna e saber que isto não é fantasia inoperante, mas esperança que antecipa a glória.
A fé é como uma placa de memória que amplia ao infinito o alcance da mente humana.
1.      Quanto à memória: “...vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26) e esse é pleno conhecimento dos ensinos de Jesus e o segredo da paz (vs. 27 “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.).

2.      Quanto à avaliação: Os dados da memória “Mas o que é espiritual discerne bem tudo...” 1 Co 2.15 é esse o segredo da verdadeira sabedoria (vs.13 “As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais”.

3.      Quanto à imaginação: “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam”. 1 Co 2.9. É esse o segredo do conhecimento das profundezas de Deus (vs.10 “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus”.

Em Relação do Pensamento:
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro [a essência da verdade], tudo o que é honesto, tudo o que é justo [intrinsecamente justo], tudo o que é puro, tudo o que é amável [aquilo de que se pode gostar], tudo o que é de boa fama [aquilo de que se pode falar bem], se há alguma virtude [alguma qualidade do caráter, e se há algum louvor], nisso pensai ou ocupe o vosso pensamento” Fp 4.8.  O verbo usado por Paulo (27 vezes só em Filipenses), traduzido por “pensai”, é logizomai, que significa ponderar, calcular, avaliar.
Cabe, aqui, uma advertência. O homem não é deus. Rm 11.34 “Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?” 1 Co 2.16 “Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo?...”
As expressões “pode mental”, “mentalização”, corrente do pensamento positivo”, poder interior” e outras, são formulas esotéricas (sistema filosófico religioso oculto e ocultista e caracteriza-se pelo estudo sistemático dos símbolos) que atribuem à mente humana “desenvolvida” poder sobrenatural que a mente humana não possui.

Mordomia do Conhecimento

Na mente do mordomo cristão há lugar para conhecimentos de artes e ciências. Muitos cientistas têm sido cristãos fervorosos. Não há nem sombra de incompatibilidades entre a ciência e a fé cristã. A verdadeira fé amplia as possibilidades do uso da verdadeira ciência e a verdadeira ciência amplia o potencial da Fe.
Um cientista que tenha profundos conhecimentos sobre o espaço cósmico ter a uma visão mais clara de que “os céus declaram a glória de Deus” “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”. Sl 19:1.
 Um botânico o pode entender com maior clareza o que a Bíblia diz sobre cada planta poder se reproduzir “segundo a sua espécie” “E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi’. Gn 1.11
Por outro lado, um artista cristão sempre terá maior motivação para desenvolver a sua arte, pois, além de possuir talento, ele confia na graça de Deus e na gloria do seu poder, como Johann Sebastian Bach que escrevia na suas musicas: “para a glória de Deus”.
Há uma diferencia: o cientista ateu vai até o possível, até o verificável. O cientista cristão segue em frente, pois “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem”. Hb 11.1. Se Moises fosse um cientista ateu, ele mandaria calcular a profundidade do mar vermelho, a distância percorre, e dirá “estamos perdidos”. Moisés era um homem de elevado nível de conhecimento e de inteligência e de extensa cultura, mas um homem de fé. “Então, Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o SENHOR fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas”.Ex 14.21.

Em Cristo.......
Um Abraço para todos........
 
 Pr. Capelão
Edmundo Mendes Silva

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

CULTO E ENTRETENIMENTO…


Vide­mus nunc per spe­cu­lum…
(1 Co 13.12 Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido”.)

Para Freud, a sani­dade do indi­ví­duo está no con­fronto dosado entre o prin­cí­pio do pra­zer e o prin­cí­pio da rea­li­dade, entre­tanto, no mundo domi­nado pela ide­o­lo­gia do entre­te­ni­mento, promove-se um com­por­ta­mento pato­ló­gico decor­rente do hipe­res­tí­mulo do ele­mento “pra­zer”, em con­traste com a subli­ma­ção do refe­ren­cial da rea­li­dade. Por essa razão, con­quanto sejam vários os ele­men­tos con­ju­ga­dos que com­põem o atual qua­dro que con­forma a soci­e­dade do espe­tá­culo (tais como o sexo, a vio­lên­cia e o jogo), nesta abor­da­gem, nos limi­ta­re­mos àquele que lhe é mais notó­rio e cari­cato: o entretenimento.
Sim, o ele­mento que marca a per­su­a­são espe­ci­a­li­zada do dis­curso espe­ta­cu­lar é o Jogo, isto é, a diver­são, o lúdico, o brin­quedo, o pas­sa­tempo, o entre­te­ni­mento — e é mais fácil experimentá-lo do que explicá-lo. Ten­te­mos, assim mesmo, com­pre­en­der melhor o que é isso de que esta­mos falando (e, tão fre­quen­te­mente, usufruindo).
Em por­tu­guês, a pala­vra jogo tem ori­gem latina em jocus, gra­cejo, graça, pilhé­ria, mofa, escár­nio, zom­ba­ria. A rela­ção com o humor, o riso, o cômico fica evi­dente. Quanto à pala­vra diver­são, do latim diversìo,ónis, remete a “digres­são, diver­são”, do verbo divertère, afastar-se, apartar-se, ser dife­rente, diver­gir. Tal termo sugere um des­vio do cor­rente por meio do dis­tan­ci­a­mento, o que o liga ao con­ceito de ali­e­na­ção. A pala­vra lúdico, car­rega a idéia de sua eti­mo­lo­gia ludi­brium, que denota joguete, zom­ba­ria, insulto, ultraje, engodo e ludìus, que é o pan­to­mimo, o come­di­ante. Ao termo lúdico tam­bém se liga a brin­quedo, defi­nido como algo “que se faz por gosto, sem outro obje­tivo que o pró­prio pra­zer de fazê-lo”. A pala­vra brin­quedo inclui, ainda, o ele­mento de com­po­si­ção ante­po­si­tivo brinc-, ou vrinc- (vin­clu), que sig­ni­fica ligar, pren­der, amar­rar, atar, jun­tar, enfim, sugere a idéia de liame, laço, ata­dura, vín­culo. Sugere a idéia de algo a que alguém se liga por mero pra­zer. A expres­são pas­sa­tempo, por sua vez, sugere a ati­vi­dade que se faz por puro diver­ti­mento, para “matar o tempo”, como se diz popu­lar­mente, e tam­bém sugere uma digres­são, um des­vio, não somente do con­texto de espaço, suge­rido pela pala­vra diver­são, mas da pró­pria noção de tempo. Todos esses ter­mos estão con­cen­tra­dos de maneira muito par­ti­cu­lar na noção de entre­te­ni­mento que carac­te­riza a soci­e­dade espe­ta­cu­lar e, par­ti­cu­lar­mente, o uni­verso medi­ado (cf. HOUAIS, 2001).
Um estudo rele­vante sobre o entre­te­ni­mento na soci­e­dade moderna foi feito por Neal Gabler que, tomando a soci­e­dade esta­du­ni­dense como refe­rên­cia, pro­cura enten­der por que o entre­te­ni­mento se tor­nou o seu valor número “um”.
De fato, Karl Marx e Joseph Schum­pe­ter pare­cem ter errado ambos. Não se trata de nenhum “ismo”, mas tal­vez o entre­te­ni­mento seja a força mais pode­rosa, insi­di­osa e ine­lu­tá­vel de nosso tempo — uma força tão esma­ga­dora que aca­bou pro­du­zindo uma metás­tase e virando a pró­pria vida (GABLER, 2000, p. 17).
Gabler pro­cura demons­trar o nexo exis­tente entre entre­te­ni­mento e sen­sa­ção. O ele­mento sen­só­rio do entre­te­ni­mento é tão cen­tral que está envo­lu­crado na pró­pria pala­vra. Como notou o autor, eti­mo­lo­gi­ca­mente, entre­te­ni­mento vem do latim inter (entre) e tenere (ter). Con­quanto se entenda entre­te­ni­mento como sendo “aquilo que diverte com dis­tra­ção ou recre­a­ção” ou “um espe­tá­culo público ou mos­tra des­ti­nada a inte­res­sar ou diver­tir”, na cons­ti­tui­ção mesma da pala­vra está pre­sente a idéia de “ter entre”. Isto é, os fil­mes (cinema), os musi­cais (shows), os roman­ces e as his­tó­rias em qua­dri­nhos (livros), as tele­no­ve­las (TV), os jogos ele­trô­ni­cos, para citar alguns, atraem os indi­ví­duos, “mantendo-os cati­vos” levando-os cada vez mais para den­tro de si mes­mos, de suas emo­ções e sen­ti­dos (nova­mente a idéia de espe­lho da rea­li­dade inte­rior do indivíduo).
Gabler sugere que com o entre­te­ni­mento se dê o oposto da arte. A idéia que se tinha era a de que a arte propiciava o ecks­ta­sis — cuja idéia é a de “dei­xar sair, colo­car para fora”; enquanto que “o entre­te­ni­mento em geral for­nece jus­ta­mente o oposto: inter tenere, puxando-nos para den­tro de nós mes­mos para nos negar a pers­pec­tiva”. Se a arte era diri­gida a uma pes­soa, o entre­te­ni­mento se volta ao maior número pos­sí­vel de pes­soas, isto é, lida com uma pla­téia nume­rosa que é con­si­de­rada como massa, “um con­junto de esta­tís­ti­cas”.
Se a arte é con­ce­bida como inven­ção, o entre­te­ni­mento é tido como conven­ção, por­que “busca cons­tan­te­mente uma com­bi­na­ção de ele­men­tos que já des­per­ta­ram certa rea­ção no pas­sado, na supo­si­ção de que a mesma com­bi­na­ção pro­vo­cará mais ou menos a mesma reação de novo”.
As emo­ções e as sen­sa­ções são os fins do entre­te­ni­mento e isso ele obtém por­que se apre­senta “diver­tido, fácil, sen­sa­ci­o­nal, irra­ci­o­nal”. Manuel Cas­tells comenta o fato de que a expec­ta­ti­vas de demanda por entre­te­ni­mento “pare­cem ser exa­ge­ra­das e muito influ­en­ci­a­das pela ide­o­lo­gia da ‘soci­e­dade do lazer’”. Trata-se de um mundo onde os sen­ti­dos triun­fa­ram sobre a mente, a emo­ção sobre a razão, o caos sobre a ordem, o id sobre o supe­rego. A esté­tica do entre­te­ni­mento torna-se cada vez “maior, mais céle­bre, mais baru­lhenta, como se o desejo de uma sobre­carga sen­só­ria fosse, assim como o sexo, um impulso bio­ló­gico em estado bruto, difí­cil de resis­tir”.

CULTO ESPE­TA­CU­LAR
His­to­ri­ca­mente, a reli­gião ins­ti­tu­ci­o­na­li­zada opôs-se vee­men­te­mente ao entre­te­ni­mento, a exem­plo da pre­ga­ção de João Cri­sós­tomo (354 – 407). E constata-se a freqüente repres­são e cen­sura reli­gi­osa que mar­cou a sepa­ra­ção entre o mundo secu­lar e a reli­gião tra­di­ci­o­nal, ao longo de toda a Idade Média, e que se dis­se­mi­nou prin­ci­pal­mente entre os pro­tes­tan­tes puri­ta­nos. Estes se nota­bi­li­za­ram pelas objeções às expres­sões popu­la­res “licen­ci­o­sas”, tais como dra­ma­ti­za­ções, can­ções, dan­ças, jogos e fes­tas sazonais. Entre­tanto, em mea­dos do séc. XIX, teve iní­cio uma rup­tura com essa pos­tura his­tó­rica em rela­ção ao entre­te­ni­mento. Isso coin­ci­diu com o sur­gi­mento de um grande número de novas deno­mi­na­ções reli­gi­o­sas, que pas­sa­ram a dis­pu­tar os fiéis como os esta­be­le­ci­men­tos comer­ci­ais con­cor­ren­tes dis­pu­tam cli­en­tes. Segundo Gabler, a pro­li­fe­ra­ção de inú­me­ras deno­mi­na­ções reli­gi­o­sas dife­ren­tes, que rapi­da­mente se expan­diam e espa­lha­vam, nos Esta­dos Uni­dos do séc. XIX, “entre as quais se podia esco­lher livre­mente”, resul­tou em uma prática reli­gi­osa que se tor­nou “tão alta­mente diver­tida que aca­bava por minar bas­tante as expres­sões obri­ga­tó­rias de des­dém diri­gi­das ao entre­te­ni­mento”. Referindo-se ao pro­tes­tan­tismo evan­gé­lico, Gabler afirma tratar-se de “uma reli­gião demo­crá­tica — alta­mente pes­soal e não hie­rár­quica, ver­ná­cula, expres­siva e entu­siás­tica” que “evi­tando a dou­trina e o come­di­mento” pre­fe­riu a emo­ção à teo­lo­gia. Isso por­que essa estra­té­gia fun­ci­o­nava melhor para atrair o público do que as tra­di­ci­o­nais pos­tu­ras puri­ta­nas.
A pro­fun­di­dade da fé passa a ser medida não pela plau­si­bi­li­dade teo­ló­gica dos seus pos­tu­la­dos, mas pela intensi­dade da emo­ção sen­tida pelo indi­ví­duo que se aban­dona no fer­vor reli­gi­oso, expe­ri­men­tado no con­texto dos cul­tos. Em tais cul­tos, os fiéis são toma­dos por “ata­ques de cata­lep­sia, con­vul­sões, visões, aces­sos incon­tro­lá­veis de riso, súbi­tas explo­sões de can­to­ria e até mesmo de lati­dos [urros, gemi­dos, gru­nhi­dos, e todo tipo de afe­ta­ção]”. Essa prá­tica marca o maior movi­mento reli­gi­oso da atu­a­li­dade, não somente nos Esta­dos Uni­dos, mas em todo o con­ti­nente ame­ri­cano e em mui­tas outras regiões do pla­neta. Na cons­ta­ta­ção, “ao rejei­tar uma reli­gião raci­o­nal em favor de uma reli­gião emo­ci­o­nal e imo­de­rada” os evan­gé­li­cos ter­mi­na­ram por disseminar-se “nas mes­mas filei­ras do entretenimento”.
Assim, a tea­tra­li­dade começa a “insinuar-se nos ser­vi­ços reli­gi­o­sos”: ser­mões outrora mar­ca­dos pelo severo rigor teo­ló­gico dão lugar a ane­do­tas, his­to­re­tas, epi­só­dios engra­ça­dos e apar­tes colo­qui­ais; ritu­ais cir­cuns­pec­tos são subs­ti­tuí­dos por mani­fes­ta­ções extá­ti­cas, con­du­tas extra­va­gan­tes e exul­ta­ções jovi­ais — em grande sin­to­nia com a ascen­são da cul­tura popu­lar. Até o final do século XIX, a cul­tura popu­lar já se trans­for­mara na cul­tura domi­nante nos Esta­dos Uni­dos e, por essa razão, Gabler afirma que, “dali em diante” esta­ria decla­rada e pro­mul­gada a “a Repú­blica do Entre­te­ni­mento” (GABLER, 2000, p. 37), e esta, desde então, vem se expan­dindo por toda parte.
Em nos­sos dias, mais do que tudo, pode-se veri­fi­car o resul­tado disso tudo para o culto público, tanto das igrejas de con­fis­são cristã como o das dife­ren­tes expres­sões e cul­tu­ras religiosas.
Pode­mos arris­car a seguinte cate­go­ri­za­ção:

  •      1ª. Geração: cele­bran­tes midiá­ti­cos intui­ti­vos;
  •        2ª. Geração: cele­bran­tes midiá­ti­cos tec­ni­cis­tas; e
  •       3ª. Geração: cele­bran­tes midiá­ti­cos especialistas.
Esta­mos viven­ci­ando, ainda, o final da pri­meira gera­ção, a dos cele­bran­tes midiá­ti­cos intui­ti­vos. Sem for­ma­ção na área tec­no­ló­gica ou da comu­ni­ca­ção medi­ada, mas com espí­rito empre­en­de­dor e grande ini­ci­a­tiva, são os pio­nei­ros da tele-religião e con­quis­ta­ram lugar defi­ni­tivo na mídia.
Aos pou­cos, essa pri­meira gera­ção vai dando lugar aos seus suces­so­res, já melhor pre­pa­ra­dos tec­ni­ca­mente para o desem­pe­nho do seu papel de tele-celebrantes. Mas trata-se ainda de uma pre­sença muito tímida. Estes sabem que a mídia exige a subs­ti­tui­ção do dis­curso oral-verbal pela expres­são imagético-visual. Sabem que o meio exige uma dinâ­mica mais veloz e ágil, esforçam-se para des­co­brir cami­nhos. Mas saber “o quê” não é o mesmo que saber “o como”. De modo que o que temos ainda é a repro­du­ção das cerimô­nias reais nos meios de comunicação.
Tere­mos que aguar­dar a pró­xima gera­ção, a dos espe­ci­a­lis­tas, que com o know-how acu­mu­lado à custa dos erros e acer­tos das gera­ções ante­ri­o­res, pode­rão ama­du­re­cer a inter-relação entre a fé na mídia e a mídia na fé.
No momento pre­sente, lamen­ta­vel­mente, ainda temos mui­tos tele-celebrantes incom­pe­ten­tes (tanto téc­nica como teo­lo­gi­ca­mente falando). Alguém já disse que não há nada pior do que um incom­pe­tente com ini­ci­a­tiva e empre­en­de­do­rismo. Os estra­gos que cau­sam podem ser irreversíveis.
É pre­ciso, por­tanto, mais do que ini­ci­a­tiva e espí­rito empre­en­de­dor. É neces­sá­ria uma Competência tec­no­te­o­ló­gica.
É notó­rio o des­pre­paro teo­ló­gico dos reli­gi­o­sos que estão em des­ta­que na mídia. Na área de Bíblia, percebe-se o quão super­fi­cial é o conhe­ci­mento demons­trado. O pro­ce­di­mento exe­gé­tico é tão raro que os pou­cos casos que even­tu­al­mente apa­re­çam são a exce­ção que con­firma a regra.
Em temos de teo­lo­gia, cris­to­lo­gia e pneu­ma­to­lo­gia dos tele-religiosos, a única coisa que é sis­te­má­tica é o desprezo pelos teó­lo­gos e por suas ela­bo­ra­ções teo­ló­gi­cas. São rarís­si­mas as alu­sões aos gran­des teó­lo­gos, sejam os da atu­a­li­dade, sejam os da his­tó­ria da Igreja. Quando algum deles é men­ci­o­nado, é para depreciá-lo, e desautorizá-lo com pilhé­rias e gra­ce­jos humi­lhan­tes. No entanto, a teo­lo­gia midiá­tica está muito mais pró­xima da medi­e­val do que da refor­mada, pelo esva­zi­a­mento do con­ceito da Graça, e pela ênfase numa sote­ri­o­lo­gia meri­tó­ria, base­ada na teo­lo­gia da retribuição.
Pas­to­ral­mente, não há a pre­o­cu­pa­ção com a cri­a­ção de “comu­ni­dade”, e a soli­da­ri­e­dade não é vir­tude que mereça lugar de des­ta­que. A edu­ca­ção cristã tam­bém está em baixa, o estudo é deses­ti­mu­lado com base na falá­cia de que a razão milita con­tra a fé. A con­cep­ção do culto deixa clara a igno­rân­cia his­tó­rica da cami­nhada litúr­gica, homi­lé­tica e hino­ló­gica do cris­ti­a­nismo (a ina­ni­ção litúr­gica é como­vente!). A mis­si­o­lo­gia pre­sente na mídia pouco tem a ver com a implan­ta­ção dos valo­res do Reino de Deus, anun­ci­ado por Jesus de Nazaré, mas está pre­o­cu­pada muito mais com as van­ta­gens e benes­ses que se pode aufe­rir da reli­gião. A poi­mê­nica midiá­tica é gene­ra­lista e gene­ra­li­za­dora. Inca­paz de um aten­di­mento pes­soal e huma­ni­zado pau­tado pelo bom-senso, limita-se a ofe­re­cer ori­en­ta­ções ali­nha­das aos este­reó­ti­pos e às gene­ra­li­za­ções do senso-comum – que amiúde é pre­con­cei­tu­oso, dis­cri­mi­na­tó­rio, redu­ci­o­nista, sim­plista, e, a rigor, reflete a ide­o­lo­gia dominante.
Diante de tanta incom­pe­tên­cia, qual é o segredo então do “tre­mendo” sucesso dos astros e estre­las da fé?
Este espaço não nos per­mite apro­fun­dar a ques­tão como gos­ta­ría­mos, no entanto, quero aqui fazer algu­mas indi­ca­ções que podem nos ajudar:
Pra come­çar, deve­mos tomar em conta a estra­té­gia da mídia, que, para alcan­çar seus obje­ti­vos, recorre a elemen­tos coer­se­du­to­res tais como o nar­ci­sismo, o meca­nismo de trans­fe­rên­cia, o fas­cí­nio das estre­las e os estereótipos.
Des­tes, gos­ta­ria de des­ta­car o fas­cí­nio das estre­las. “A estrela é arque­tí­pica” e fas­cina por­que se torna “a expres­são subli­mada das pró­prias cren­ças, das pró­prias neces­si­da­des”. A vene­ra­ção dos fãs pelas estre­las ou cele­bri­da­des nem sem­pre depende do talento des­tas e é comum que se dê mais impor­tân­cia às suas qua­li­da­des físi­cas do que à com­pe­tên­cia pro­fis­si­o­nal. No dizer de Neal Gabler, não é neces­sá­rio “haver talento algum para obtê-la [a fama]”, pois tudo de que pre­cisa é “a san­ti­fi­ca­ção da câmara de tele­vi­são. Para Fer­rés, “a pes­soa que seduz, de certo modo, se apo­dera da alma do sedu­zido”, num ato de vam­pirismo espe­ta­cu­lar, pois o sedu­zido se entrega incon­di­ci­o­nal­mente recon­fi­gu­rando sua pró­pria per­so­na­li­dade segundo os mol­des da estrela, por asso­ci­a­ção ou trans­fe­rên­cia de tudo o que ela encarna — a moda ditada pelas cele­bri­da­des seria um claro indí­cio desse pro­cesso (FERRÉS, 1998, p. 120 – 121). No campo reli­gi­oso, essa ten­dên­cia mimé­tica, ou vam­pí­rica, tam­bém é notó­ria na repro­du­ção de tre­jei­tos, expres­sões, pos­tu­ras e con­vic­ções ide­o­ló­gi­cas tanto por parte da lide­rança clé­riga quando laica, dita­dos pela moda reli­gi­osa espe­ta­cu­lar. São as estre­las que deter­mi­nam o padrão de beleza física, de pos­tura moral, de esta­tura espi­ri­tual… A repro­du­ção desse com­por­ta­mento espe­ta­cu­lar se nota, inclu­sive, na vene­ra­ção pia a expo­en­tes (astros) reli­gi­o­sos por parte de fiéis (fãs) devo­tos. Acon­tece que, em grande parte, isso se dá de maneira des­per­ce­bida e desa­per­ce­bida. Não se trata de um pro­cesso cons­ci­ente por­que, como exem­pli­fi­cou Fer­rés, “quando uma estrela parece ven­der lágri­mas, está ven­dendo sabão, e quando parece estar ven­dendo pro­du­tos, está ven­dendo valo­res” .
 
DESA­FIOS PAS­TO­RAIS PARA O CULTO NA IDADE MÍDIA
Vide­mus nunc per spe­cu­lum in enig­mate tunc autem facie ad faciem nunc cog­nosco ex parte tunc autem cog­nos­cam sicut et cog­ni­tus sum
(1 Co 13.12 Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido”.)

Retomo aqui os desa­fios que eu já havia apon­tado, anos antes, em rela­ção à homi­lé­tica, aplicando-os ao culto como um todo, e à reli­gião em geral, frente à soci­e­dade do espetáculo.
A reli­gião tra­di­ci­o­nal man­tém seu foco no sig­ni­fi­cado, ao passo que a espe­ta­cu­lar focaliza-se, sim, sobre o sig­ni­fi­cante ou sobre a forma da men­sa­gem enun­ci­ada. Entre­tanto, nem a con­ven­ci­o­nal, nem a espe­ta­cu­lar ajus­tam seu foco para cen­tra­li­zar os inter­su­jei­tos comu­ni­can­tes, isto é, nos seres huma­nos que estão inte­ra­gindo nesse pro­cesso comunicacional.
Tal­vez seja pos­sí­vel encon­trar alter­na­ti­vas para a tele-religião, mas essas só serão legí­ti­mas se con­se­guir­mos resis­tir à força desu­ma­ni­za­dora, robo­ti­za­dora, coisi­fi­cadora dos meios tec­no­ló­gi­cos, prin­ci­pal­mente os de comu­ni­ca­ção de massa. Está sobre a mesa a ques­tão da huma­ni­za­ção da mídia. Seria pos­sí­vel um pro­cesso de rever­são huma­ni­za­dora da ten­dên­cia coi­si­fi­ca­dora atual?
Será pos­sí­vel uma espi­ri­tu­a­li­dade medi­ada huma­ni­zada? Se de alguma forma isso for pos­sí­vel, só se dará mediante a inte­ra­ção de todas as pes­soas envol­vi­das como sujei­tos ati­vos que podem opi­nar e inter­fe­rir dire­tamente no curso do pro­cesso comu­ni­ca­tivo (tal inte­ra­ção deve ser pos­sí­vel entre as pes­soas e os meios, e entre as pró­prias pessoas) — não se trata mais de emis­so­res e recep­to­res de men­sa­gens, mas de inter­su­jei­tos comunicantes.
Será neces­sá­rio, ainda, por parte das igre­jas e dos fiéis, o enfren­ta­mento crí­tico e lúcido das “mega­mu­dan­ças” que ocor­rem no campo teó­rico e tec­no­ló­gico con­tem­po­râ­neo, o que implica na aber­tura para aceitá-las e, até mesmo, para promovê-las, quando per­ce­bi­das como fer­ra­men­tas legí­ti­mas que podem estar a ser­viço de uma ação ética, razoá­vel e democrática.
Essa espi­ri­tu­a­li­dade deverá tam­bém se pre­o­cu­par com a sen­si­bi­li­za­ção ética de todo o corpo humano: suas dores e pra­ze­res, suas dúvi­das e inte­res­ses; tra­tar com res­peito e con­si­de­ra­ção a emo­ção e o sen­ti­mento humanos.
Nas rela­ções com a soci­e­dade tec­no­ló­gica, se deverá bus­car a supe­ra­ção das redes de máqui­nas (de com­pu­ta­do­res, de TVs, de emis­so­ras de rádio…) por uma rede de gente: pois não faz sen­tido haver máqui­nas conec­ta­das se não hou­ver inte­ra­ção entre as pes­soas que as uti­li­zam. Deve-se bus­car, por­tanto, a cons­ti­tui­ção, ainda que vir­tual, de uma comu­ni­dade real. Isso implica na domi­na­ção das máqui­nas pelas pes­soas e não das pes­soas pelas máqui­nas (a maneira de dominar as máqui­nas é apren­der a usá-las). Tam­bém os homi­le­tas, litur­gos e hinó­lo­gos, deve­rão engajar-se na “alfa­betii­za­ção” tecnológica.
As comu­ni­da­des cele­bran­tes deve­rão ainda abrir-se às amplas pos­si­bi­li­da­des e esti­los inte­lec­tu­ais; engajar-se no desen­vol­vi­mento de uma inte­li­gên­cia cole­tiva (os resul­ta­dos da inte­li­gên­cia humana devem ser soci­a­li­za­dos para bene­fi­ciar a todos, bem como os pro­ble­mas podem ser resol­vi­dos cole­ti­va­mente, inclu­sive no âmbito da fé); e convencer-se de que sua mis­são, e sua tarefa espe­ci­fi­ca­mente comu­ni­ca­tiva, não se dão no iso­la­mento, antes, só é viá­vel se rea­li­zada cole­ti­va­mente na inter-relação, na multi-relação e mesmo na trans-relação entre sabe­res, com­pe­tên­cias e expe­ri­ên­cias tanto cog­ni­ti­vas como vitais.
Enfim, não será dese­já­vel uma única litur­gia, ou uma única homi­lé­tica, nem mesmo uma única hino­lo­gia, mas várias, inte­ra­gindo e inte­grando sabe­res e sabo­res, prosa e poe­sia, har­mo­nias e rit­mos, pala­vras e ima­gens… Ou então, como alter­na­tiva, se pode aspi­rar pela con­cep­ção de uma única liturgia-homilética-hinologia, mas com mui­tas faces: sen­sí­vel e poli­sen­so­rial, afe­tiva e comu­nal, dia­ló­gica e demo­crá­tica, multi e co-inteligente, inter-multi-transdisciplinar, huma­ni­zada e humanizante.
Não se deve esque­cer, por fim, que o acon­te­ci­mento cele­bra­tivo se dá sem­pre como pro­cesso de cons­tru­ção e recons­tru­ção memo­rial. Por­tanto, não seria demais repe­tir: o culto é, em parte, expec­ta­tiva e, em parte, memó­ria: é acon­te­ci­mento, é ins­tante, é alo­cu­ção, é atu­a­ção, é sta­tus pre­di­candi, é sedu­ção em anda­mento, é silên­cio em eloqüên­cia e som em per­su­a­são; enfim, o culto é (!). Nisso está o seu fas­cí­nio, seu encanto. Por um pouco é palavra/gesto esperado-desejado; num átimo, torna-se palavra-gesto encarnado-experimentado, para logo a seguir sub­mer­gir e res­sur­gir como memó­ria sagrada, pela dança dos ges­tos sagra­dos e das pala­vras bem-ditas.

Em Cristo
Pr.Capelão Edmundo Mendes Silva

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

AS 12 RAZÕES PARA ELIMINAR O ENTRETENIMENTO DA IGREJA


Sei que o entretenimento está tão enraizado na cultura evangélica, que parecerá um absurdo a tese que defendo. Mas, além de não estar sozinho na luta contra o "culto show", estou ainda muito bem acompanhado, por pastores renomados, como Charles Haddon Spurgeon, que no século XIX já havia escrito sobre este perigo, alertando que o fermento diabólico do entretenimento acabaria levedando toda a massa em curto espaço de tempo. E é neste estado de lastimável fermentação que se encontra a massa evangélica atual.

Eti­mo­lo­gi­ca­mente, entre­te­ni­mento vem do latim inter (entre) e tenere (ter). Con­quanto se entenda entre­te­ni­mento como sendo “aquilo que diverte com dis­tra­ção ou recre­a­ção” ou “um espe­tá­culo público ou mos­tra des­ti­nada a inte­res­sar ou diver­tir”, na cons­ti­tui­ção mesma da pala­vra está pre­sente a idéia de “ter entre”.

Hoje em dia é quase impossível que uma igreja não tenha conjuntos musicais, ou corais, ou grupos de coreografia, ou cantores para se apresentar durante o culto e nos eventos por ela realizados. Na maioria das igrejas o período de culto é tomado deste tipo de apresentações, com a desculpa de que "é pra Jesus!!!". Mas, quando analisamos racionalmente (Rm 12.1,2 “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”.), e a luz das Escrituras, a verdade é que tais apresentações não passam de entretenimento, com verniz de santidade e capa de religiosidade.

Que ninguém fique ofendido. Eu mesmo gostaria que alguém houvesse me alertado disso na época em que eu, cegamente, gastava horas com ensaios de conjuntos e de peças teatrais. E eu me convencia de que isto era a obra de Deus.
Mas, no fundo de meu coração, eu sabia que havia algo de errado, que não era nisto que Jesus esperava que seus discípulos se focassem, ou se esforçassem. Como ninguém me despertou, busquei a Deus em oração e o próprio Espírito Santo, por meio das Escrituras, convenceu-me do meu erro.

Desde então, tenho meditado tão seriamente a respeito disto, que encontrei mais de dez razões para eliminar por completo o entretenimento dos cultos nas igrejas. Temos que substituir o tempo que antes gastávamos com ensaios entre quatro paredes, pelo evangelismo bíblico na comunidade e pela oração nos lares. E, quanto às apresentações nos cultos... sinceramente, não irão nos fazer muita falta não!
Mas, vejamos porque o entretenimento deve ser eliminado dos cultos que realizamos ao Senhor:


1 - O Senhor nunca ordenou entreter as pessoas: Esta já seria uma razão suficiente, que dispensaria os demais argumentos. O problema é que raramente se encontra hoje uma igreja que queira ser bíblica composta por membros que só desejem cumprir a vontade de Deus, expressa em sua Palavra. Assim sendo, talvez sejam necessários ainda os argumentos a seguir.

2 - Entretenimento não atrai ovelhas: Chamemos de ovelhas aqueles que realmente amam a Jesus, que reconhecem a voz do Senhor e o seguem (Jo 10:27 “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem”). No entanto, a divulgação de apresentações na igreja dificilmente atrairá pessoas interessadas em Deus. Certamente será um atrativo para as que gostam de uma distração gratuita. Mas, podemos chamar a estas pessoas de ovelhas, ou não há uma grande chance de serem bodes? (Mt 25:32-33 “e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda”).

3 - Entretenimento afasta as ovelhas: As verdadeiras ovelhas não se satisfazem com apresentações durante o culto. Elas querem oração e palavra, edificação e unção. Uma ovelha de Cristo não procura emoções, mas a Verdade, para que se mantenha firme no caminho da vida eterna (Jo 6:67 “Por causa disso muitos dos seus discípulos voltaram para trás e não andaram mais com ele”.). Quanto mais o pastor encher o culto com apresentações, mais rápido as ovelhas sairão em busca de uma verdadeira igreja, que priorize a oração e a palavra de Deus. Aos poucos, a "igreja-teatro" deixará de ter ovelhas para estar ainda mais cheia, porém de bodes, que gostam de uma boa distração. E, infelizmente, o que muitos pastores buscam hoje é quantidade, o crescimento a qualquer custo. E, com este fermento, a massa realmente cresce...

4 - Entretenimento reduz o tempo de oração e palavra: O tempo de culto já é muito limitado, chegando há no máximo duas horas. Quando se dá oportunidade para apresentações, o tempo que deveria ser usado para se fazer orações e se pregar a palavra de Deus torna-se curtíssimo. Em algumas igrejas não chega nem há trinta minutos! Como desenvolver uma mensagem expositiva em tão curto espaço de tempo?

5 - Entretenimento confunde os visitantes: Os visitantes concluem que a igreja existe em função disto: conjuntos, corais, coreografias, peças teatrais, ou qualquer outro tipo de apresentação que torne o culto um show. E eles passam a frequentar os cultos com esta expectativa, esperando pelo próximo espetáculo.

6 - Entretenimento ilude os membros: O membro pensam que está servindo a Deus com suas apresentações. Desta forma, sua consciência fica cauterizada para atender aos chamados para a Escola Bíblica, para o evangelismo e para socorrer os carentes. Afinal de contas, ele pensa que seu chamado é para as artes, e não para serviços que não lhe colocam debaixo dos holofotes (que, aliás, são muito comuns nas igrejas hoje em dia).

7 - Entretenimento é um desgaste desnecessário: Quanto esforço é despendido para que tudo saia perfeito! Uma energia que é gasta naquilo que o Senhor nunca mandou fazer! Será que ainda sobram forças para se fazer o que realmente o Senhor manda? (Lc 6:46 “ E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?”).

8 - Entretenimento coloca os carnais em destaque: Pessoas que raramente aparecem nos cultos de oração e estudo bíblico, e que nunca comparecem ao evangelismo, geralmente são as mesmas que gostam de aparecer cantando, dançando ou representando nos cultos mais cheios. A questão é: Por que dar destaque justamente para estes membros carnais?

9 - Entretenimento promove disputas: Disputas entre membros, entre conjuntos e até entre igrejas. Quem canta melhor? Quem dança melhor? Que conjunto tem o uniforme mais bonito? Quem recebeu mais oportunidade? Quanta mediocridade carnal... (1 Co 3:3 “porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens?”; Tg 4:1 “Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?”).

10 - Entretenimento alimenta o ego: O entretenimento não gera fé, mas fortalece o ego dos que amam os aplausos e elogios. Apesar de sua roupagem "gospel", o fermento dos fariseus continua tão venenoso quanto nos dias de Jesus (Mt 23:5-6 “Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens; pois alargam os seus filactérios, e aumentam as franjas dos seus mantos; gostam do primeiro lugar nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas” ; Lc 12:1 “Ajuntando-se entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou Jesus a dizer primeiro aos seus discípulos: Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”).

11 - Entretenimento é um desperdício de tempo: Se o mesmo tempo que as igrejas gastam com ensaios e apresentações fosse utilizado com Oração, Estudo Bíblicos e Evangelismo, este mundo já teria sido alcançado para o Senhor! (Ef 5:15-17 “Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor”).

12 - Entretenimento não é fazer a obra de Deus: A desculpa para o entretenimento é que este seria uma forma de atrair as pessoas. Mas a questão novamente é: que tipo de pessoas? Se entretenimento fosse uma boa alternativa, não teria a igreja apostólica usado de entretenimento para atrair as multidões? No entanto, ela simplesmente pregava o evangelho, porque sabia que nele há poder. O evangelho "é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rm 1:16 ). Mas o entretenimento... O entretenimento é a artimanha do homem para a perdição de todo aquele que duvida.

Quero concluir com uma palavra aos pastores. De pastor, para pastor. Amado colega de ministério, não duvide do poder do evangelho para atrair e converter as pessoas. Não queira encher a igreja com atividades vazias e atraentes ao mundo, mas que não tem o poder do Espírito Santo para converter vidas. Tenha coragem e limpe sua congregação desta imundície egocêntrica. Talvez com isto você perderá alguns membros, mas não perderá ovelhas, somente bodes. Tenha fé em Deus e confie no modelo bíblico para o crescimento da igreja, que é a oração, o bom testemunho, estudos biblicos e a pregação ousada do genuíno evangelho de Cristo. 


Um abraço em Cristo
Pr. Capelão Edmundo Mendes Silva

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

É Agora! Depois de tudo terminado...


É tudo acabou! No nosso município esta tudo definido, e em outros estão para se definir, enfim no brasil esta praticamente tudo se definindo. Quem ganhou, ganhou, quem perdeu, perdeu!
Agora, muito estão a chorar e tristes, reclamando, murmurando blasfemando e odiando. Isto já era de se esperar. É como um jogo de decisão de campeonato. O time que ganha, triunfa, festeja, jubila, mas o que perde tristeza, brigas, contendas, lutas, e até mortes.
Para alguns, bem antes de tudo, já estavam esquecidos, outros serão, mas existem alguns que serão lembrados na sua historia de vida, de honra, compromisso e um grande testemunho diante do seu povo. É isto que é lindo! Enquanto outros tantos, infelizmente é só derrota! Venderam-se, compraram-se, se deram-se e acabaram-se.
Agora não tem mamãe me chora!!! O povo escolheu, segura o arrocho!! Quem sorriu, sorriu, quem chorou, chorou. Ou piora de uma vez ou São João de Meriti vai vira um shop Center..., mas entre os mortos e feridos se salvaram todos, ou quase todos!

Na verdade, a tendência é piorar mesmo, porque, acreditar que algo bom pode vir daí, só vendo pra crê! Nos não estamos iludidos, pois a Bíblia nos diz I João 5:19  “Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno”. I João 4:1 “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo”.
Agora é continuarmos olhando para frente, como sempre em Cristo (Hb12.2 “fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus”) que nunca nos enganou e nos decepcionou.

Entre “tapas e beijos” alguns lideres evangélicos parece que alguns se acalmaram. A disputa ente uma vaga para a câmara de vereadores foi acirrada. Entre pastores, presbíteros, bispos, e sei lá mais o que, ali não era “um por todos e todos por um”, era cada um por si e Deus por todos.
Quantos estão de cabeças inchadas? Quantos pecaram contra Deus e o seu próximo? Quantos arrependidos por ter tomado decisões precipitadas? Quantos ficaram queimados e queimaram outros? Quanto cometeram injustiça? Quantos de ressaca espiritual? Quantos que eram a luz do mundo se transformaram nas trevas do inferno? Quantos que eram o sal da terra viraram o sal insípido que serão pisado pelos homens?
A nossa vida e testemunho foi mais uma vez provado diante dos homens, o como fomos achados?
A Bíblia nos diz: Mt 5. 13-15 Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; 15 nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa. 16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.

Mas a Bíblia também, continua a nos dizer:
Malaquias 4:2 “Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas; e vós saireis e saltareis como bezerros da estrebaria”.
Números 6:25 “o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti”
Efésios 5:14 “Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará”.

É hora de reconstruirmos, de nos refazermos, de levantamos diante de Deus e continuarmos trabalhando e orando pelas nossas autoridades constituídas.
E hora de nos Povo de Deus começa a colocar a cabeça no lugar. De repensar e analisamos os nossas atitudes e não vendermos os nossos valores.

Olha só como a coisa esta?
Veja só isto: “Não é só a religião que quer entrar na esfera pública ou os religiosos que querem prosseguir na política, mas as instituições políticas convocam os grupos religiosos para a política”, diz a socióloga Maria das Dores Campos Machado à IHU On-Line, por telefone, ao avaliar o cenário político e as relações estabelecidas entre religião e partidos políticos no Brasil. A capacidade de mobilização dos religiosos, assinala, “tem feito com que eles ganhem uma projeção política e uma capacidade de barganha junto aos políticos”.

Apesar dessa relação não ser recente na história brasileira, talvez o que esteja incomodando nas disputas eleitorais deste ano é o fato de que “os partidos estão sendo hoje, de certa forma, disputados pelos evangélicos”, menciona. Maria das Dores cita o caso do candidato à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, que é católico e concorre à prefeitura pelo Partido Republicano Brasileiro – PRB, liderado por membros da Igreja Universal do Reino de Deus. “Tem uma novidade no ar. É quase como se ele estivesse experimentando uma nova estratégia: aliar-se com os evangélicos. Além disso, ele não é um católico qualquer; é um católico que estava trabalhando na Record. (...) A novidade que tem aí é um pouco neste sentido: os grupos evangélicos estão procurando agremiações partidárias onde eles possam agir mais livremente conforme os seus interesses”, constata.

Os dados do censo apresentam alguma novidade em relação ao mapa religioso brasileiro? 
Maria das Dores Campos Machado – Têm duas grandes tendências que são interessantes: a expansão dos evangélicos e o declínio dos católicos, porque é primeira vez que cai o número absoluto de fiéis da Igreja de Roma. O outro dado importante é o crescimento dos evangélicos que falam que não têm denominação. Isso é uma novidade, porque já conhecíamos o católico não praticante, mas agora aparece a figura de um ator religioso evangélico que diz não estar vinculado a nenhuma denominação, apesar de ser evangélico. Então, isso nos dá a impressão de que os vínculos com as denominações evangélicas, que eram muito mais acentuados do que entre os católicos, também estão se afrouxando. Na medida em que os evangélicos vão crescendo, eles também ficam mais parecidos com a sociedade e com os católicos, ou seja, se dizem evangélicos, mas não praticam, não conhecem a doutrina. Nesse caso, os pentecostais estariam “se abrasileirando”, se tornando mais parecidos com a população brasileira, e perdendo um pouco o caráter exemplar. Quando o grupo religioso é menor, o controle sobre os fiéis é muito maior. Quando o grupo cresce, a capacidade de controle sobre ele se torna menor, e a tendência também é haver um afrouxamento dos vínculos.

Católicos x Evangélicos
Recentemente percorri a Baixada Fluminense, e num bairro encontrei 48 igrejas, sendo que 47 eram templos evangélicos e um era católico. Esses dados demonstram um desequilíbrio muito acentuado em função das características de cada um desses grupos. Como a Igreja Católica enfrenta inúmeros desafios, os evangélicos conseguiram um espaço muito grande para crescer. Eles têm uma enorme plasticidade e são capazes de assimilar tendências de diferentes campos, além de conseguir ressignificar e dar um novo tratamento a novas bandeiras. Além disso, eles conseguem introduzir novas visões de mundo, como a teologia da prosperidade, que está relacionada com os valores norte-americanos.
Então, os evangélicos conseguiram introduzir junto às camadas populares uma concepção de mundo que é muito mais individualista e muito mais afinada com o neoliberalismo. É uma concepção de mundo que aposta na capacidade do indivíduo resolver os seus problemas, desde que aja com perseverança, com fé e atue de forma a conseguir as coisas: se ele fizer acordos com Deus, se apostar nisso, poderá conquistar o seu sucesso.

Que Deus em Cristo nos ajude e tenha misericórdia de nós
Em Cristo um abraço a todos.

Pr. Capelão Edmundo Mendes Silva.

Ouça esta canção de vitorino Silva  http://www.youtube.com/watch?v=XbfSY_4wEvY