segunda-feira, 20 de junho de 2016

O RELATIVISMO PÓS-MODERNO

De maneira geral, é possível afirmar que a vida cristã possui características e objetivos comuns em todos os momentos da história. A ordem de “santificar a Cristo no coração” (1Pe 3.15), por exemplo, se aplica a todos os cristãos em todos os momentos históricos. No entanto, é possível afirmar que cada momento histórico apresenta desafios próprios para o cristianismo. Nós somos chamados por Deus para viver a vida cristã num tempo específico. Por isso, no exercício de santificar a Cristo no coração, por exemplo, cristãos de diferentes épocas se deparam com diferentes dilemas e desafios.
Procuraremos avaliar à luz da Bíblia, um desafio próprio para os cristãos contemporâneos, que vivem na chamada pós modernidade.

I. O relativismo dos tempos pós-modernos
Estudiosos de nosso tempo têm o denominado de pós-modernidade. Esta nomenclatura revela que o momento histórico em que vivemos é um momento que segue o período moderno. No entanto, a relação entre um momento histórico (modernidade) e outro (pós-modernidade) não é apenas temporal ou histórica, mas também conceitual e cultural. Em outras palavras, a pós modernidade não é apenas um período que segue a modernidade em termos temporais, mas um período que segue a modernidade conceitual e culturalmente, rompendo, de certa forma, com aspectos do modo de pensar, viver e se organizar, próprio da modernidade.
Uma das características mais marcantes da pós-modernidade é o rompimento com o que poderíamos chamar de universal ou geral, em prol do particular ou individual. Na modernidade se pensava na história humana de modo geral, em termos de uma história universal. Hoje em dia o que importa é a história individual, quando muito a de um grupo de pessoas, mas não se costuma falar mais em uma história da humanidade. Na modernidade se falava também em uma verdade universal e absoluta. Para nossos dias, no entanto, falar em uma verdade universal e absoluta é algo quase que inaceitável. Por fim, a modernidade podia falar de um modo de agir universal e norteado por valores absolutos, enquanto para a pós-modernidade este é um discurso ultrapassado. Isto não significa que a modernidade tenha sido necessariamente cristã, mas apenas que ela teve em comum com a visão de mundo cristã o fato de assumir o universal e absoluto.
Ao contrário da modernidade, nosso tempo tem como princípio o relativismo. Tendo valorizado o particular, em detrimento do universal, a pós-modernidade abandonou a ideia de absolutos e assumiu o relativismo. O relativismo é a teoria de que a base para os julgamentos sobre conhecimento, cultura ou ética difere de acordo com as pessoas, com os eventos e com as situações (Dicionário de Ética Cristã, Carl Henry, Editora Cultura Cristã).
Esse relativismo contemporâneo se aplica aos três elementos apresentados no parágrafo anterior: história, conhecimento e ética. A pós-modernidade questiona, primeiramente, a existência de uma história comum que possa, de alguma forma, identificar os homens de modo universal. Em segundo lugar, no âmbito do conhecimento, questiona a existência de uma verdade que seja universal e absoluta. Por consequência, questiona pôr fim a possibilidade de se estabelecer princípios morais que devam reger a conduta de todas as pessoas universalmente. Nosso tempo rejeita qualquer critério universalmente aceito para se medir valores (Carl Henry).
Esta teoria consideravelmente complexa (o relativismo) pode ser vista nas palavras e ações do dia a dia das pessoas em nosso tempo. Provavelmente a maioria dos leitores já consegue perceber o quanto o homem contemporâneo se preocupa com a sua história individualmente, como se ela não estivesse relacionada à história de modo geral. Provavelmente, a maioria dos leitores deste texto já teve uma discussão encerrada com as seguintes palavras: “não vale a pena discutir, afinal, você tem a sua verdade e eu tenho a minha”. Ou, quem nunca foi perguntado de forma retórica, depois de ter emitido um juízo de valor sobre algo ou alguém: “quem é você para julgar? ”. Essas palavras e ações revelam como o relativismo tomou conta de nossos dias.
A igreja, enquanto comunidade plantada e imersa em seu tempo histórico sofre as consequências deste relativismo. Uma das maiores evidências da influência do relativismo na igreja contemporânea é sua tendência ao ecumenismo. A defesa da aceitação indiscriminada de toda e qualquer crença revela o quanto o caráter exclusivista do evangelho soa mal aos ouvidos contemporâneos. Outra característica que tem se tornado cada vez mais comum no meio da igreja é o questionamento da necessidade e a ausência da disciplina eclesiástica. Esta prática revela que não apenas o relativismo quanto ao conhecimento tem adentrado a igreja, mas também o relativismo ético-moral.

II. O relativismo e a Bíblia
O relativismo é uma teoria coerente com os pressupostos que a definem. Mas seria coerente com a cosmovisão cristã? Uma rápida consideração das verdades bíblicas é suficiente para revelar que o relativismo não se sustenta diante de alguns elementos fundamentais da fé cristã.

A. A Bíblia e a história
Ao considerarmos a história à luz da Bíblia, concluímos que, embora seja possível falar em histórias individuais, existem elementos fundamentais que na história humana que identifica todos os indivíduos, universalmente.
Pense no tema bíblico básico: Criação, Queda e Redenção. A narrativa bíblica afirma que Deus é o autor da realidade. Tudo aquilo que existe foi criado por Deus (Gn 1.1). O homem não é mero produto de uma evolução biológica, mas um ser criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). A origem do homem, portanto, identifica-nos todos uns com os outros. Além da criação, somos identificados pela queda em pecado. A rebeldia não fora uma característica específica do primeiro casal, mas é algo que se perpetua nas gerações. A Bíblia é contundente em afirmar que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23); ou ainda que “não há um justo sequer” (Rm 3.10). Deste modo, nossa história se identifica com a história de todos os demais homens, não apenas pela criação, mas também pela queda. Por fim, nossa história se identifica com a história de todos os demais pela redenção. É claro que a identificação, neste ponto, não se dá pelo fato de serem todos salvos, mas pelo fato de que nosso destino eterno se define pela nossa relação com Jesus Cristo e o plano redentor de Deus nele proposto. Mesmo distinguindo entre salvos e perdidos, a Bíblia identifica todos eles em termos finais, ao afirmar, por exemplo, que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai (Fp 2.10-11).
A tríade Criação, Queda e Redenção é o elemento unificador da história humana. Embora existam particularidades na história dos indivíduos, existem aspectos em que a história é universal; a história do homem criado à imagem de Deus, que se rebelou contra ele, e foi alvo da graça de Deus em Cristo Jesus.

B. A Bíblia e a verdade
Segundo a Bíblia, Deus não apenas trouxe a realidade e o homem à existência, mas se revelou. Aliás, o próprio ato criador é revelação. Deus criou todas as coisas pela sua Palavra (E disse Deus… Jo 1.1-2). Esta é a razão pela qual a realidade criada revela quem Deus é; “os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras de suas mãos” (Sl 19.1).
O Deus da Bíblia, portanto, não é imóvel, mudo, mas é um Deus que vai ao encontro do homem e fala com ele. Desde muito cedo somos informados pela Bíblia deste movimento de Deus em relação ao homem. De acordo com os capítulos iniciais do Gênesis, ouvir a voz de Deus, que andava no jardim pela viração do dia, parece ser algo com o qual Adão e Eva estavam acostumados (Gn 2.16; 3.8). Mesmo após a Queda, Deus fala com o homem (Gênesis 3.8). Durante toda a história, Deus continuou falando ao homem, e à medida que falava, Deus tomava providências para que suas palavras fossem preservadas para toda a posteridade (Êx 17.14; 34.27).
Até que ele falou de modo pessoal, pela pessoa de Cristo Jesus. Ele, a Palavra que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14) é a revelação maior de Deus. Ele é a expressão exata do seu Ser (Hb 1.3), que se apresentou dizendo: “quem me vê, vê aquele que me enviou” (Jo 12.45). Este mesmo Jesus se define como o caminho, a verdade e a vida (João 14.6), aquele cujo conhecimento significa liberdade (Jo 8.32).
Deus é a verdade, e ele se revelou a nós por meio de sua Palavra. Por isso, a verdade não é uma questão meramente subjetiva ou de construto social. Ainda que o homem atribua significados à realidade, a verdade é objetiva. Nós nos aproximamos da verdade, todas as vezes que nos aproximamos do que Deus revelou por sua Palavra. O contrário também é verdadeiro. Sempre que nos distanciamos da revelação que Deus deu por intermédio de sua Palavra, nos distanciamos da verdade. A Palavra de Deus é a verdade (Jo 17.17).

C. A Bíblia e a moralidade
Assim como o relativismo ético é resultado do relativismo no âmbito do conhecimento, assim também a crença de que Deus se revela em sua Palavra tem como consequência a existência de valores morais universais e absolutos. Ao se revelar, Deus demonstrou sua vontade ao homem; o modo como Deus deseja que o homem viva neste mundo.
Desde o princípio o relacionamento de Deus com o homem é marcado pelo fato de que Deus é Senhor, e o homem é servo. Este fato de que Deus tem direitos sobre o homem para requerer dele obediência, é uma implicação natural da crença na verdade bíblica da criação. É possível dizer que, como criador do homem, Deus tem direitos autorais sobre o homem, e este direito se revela no fato de que Deus se relaciona com o homem na posição de seu Senhor.
A narrativa bíblica da criação apresenta Deus não apenas criando o homem, mas definindo, por meio de ordenanças, seu propósito e significado. Logo em Gênesis 1, encontramos o imperativo: “sede fecundos, multiplicai-vos”. Apenas um capítulo depois encontramos a ordem divina, que por ter sido desobedecida, deu origem a toda sorte de males que experimentamos ainda hoje; “de toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16-17). Quando, depois da Queda, o mal havia se alastrado sobre a terra, e Deus se apresentou a Noé, foi com imperativos que ele o fez: “Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos” (Gn 6.18). Posteriormente, Deus se apresentou a Abrão, e mais uma vez o fez de forma imperativa: “Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei” (Gn 12.1). Todas estas passagens revelam que Deus se relaciona com o homem como Senhor, e o tem como seu servo. E, na qualidade de Senhor, Deus estabelece os princípios por meio dos quais o homem deve viver neste mundo.
Os dez mandamentos são característicos desta vontade divina revelada em sua Palavra. Eles têm sido chamados de a lei moral de Deus, isto é, o conjunto de preceitos divinos absolutos e atemporais. A causa pela qual são atemporais e absolutos é o fato de que se fundamentam no caráter de Deus. E, sendo Deus imutável em seu ser, as perfeições de seu caráter, nas quais se baseiam os mandamentos, são imutáveis também. Essa é a razão pela qual se pode dizer que os dez mandamentos revelam a vontade atemporal e absoluta de Deus. “A tua justiça é justiça eterna, e a tua lei é a própria verdade” (Sl 119.142).

III. A igreja: coluna e baluarte da verdade
Como temos visto, uma visão cristã do mundo pressupõe a existência de absolutos. Deus se revelou e em sua Revelação apresenta a história universal, nos oferece a verdade e os padrões morais para a vida. 1Timóteo 3.14-15 afirma que a igreja é coluna e baluarte da verdade. As duas palavras, “coluna” e “baluarte”, indicam algo que sustenta e dá firmeza. Se pensarmos na metáfora de um edifício, por exemplo, e considerarmos o papel das colunas, como parte das estruturas que mantém um prédio de pé, perceberemos bem o que a Escritura deseja ensinar nesta passagem.
Essa metáfora não ensina que a igreja seja a fonte originadora da verdade. Ao contrário do que pensa o romanismo, não é a igreja quem define e estabelece o que é a verdade. A fonte originadora da verdade é Deus mesmo. E a igreja é a guardiã, a protetora, a defensora da verdade revelada e estabelecida por Deus. E diante dito sobre a igreja chama a nossa atenção para a necessidade de avaliarmos nosso compromisso com a verdade em tempos em que ela é tão questionada. Um detalhe importante é que 1Timóteo 3.14-15 não está falando sobre algo que a igreja deve se esforçar para ser, mas sim o que a igreja é. O texto está definindo a igreja. Isto significa que um dos maiores compromissos da igreja é seu compromisso com a verdade, de modo que, se uma comunidade não é uma coluna e fundamento da verdade, ela não é uma verdadeira igreja de Cristo.

Conclusão

Vivemos tempos de desconsideração para com a verdade. Cada um parece defender e viver de acordo com o que pensa ser mais correto. No entanto, a Bíblia nos ensina que temos uma história comum, uma Revelação absoluta e princípios éticos normativos. E Deus estabeleceu sua igreja como coluna e baluarte da verdade. Isto significa que uma caraterística fundamental da igreja de Cristo é seu apego à verdade e sua proclamação.

Deus os abençoem em Cristo
Pr. Capelão Edmundo Mendes Silva

domingo, 3 de janeiro de 2016

O QUE FAREMOS NESTE NOVO ANO?


1 Co 10.31 Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus”.

Neste novo ano que estamos adentrando, com certeza será um ano muito mais complicado, difícil e com muitos desafios a ser batido.
Os dias cada vez estão mais penosos “Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos”. 2 Tm 3.1. Onde estamos cercados por todos os lados de todo tipo de crise, a saber: da saúde, da economia, da segurança publica, etc., mas “Em Deus faremos proezas; porque é ele quem calcará aos pés os nossos inimigos”. Sl 60.12

Tese: O que faremos neste novo ano?

1.     Faremos Tudo Novo. “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. 2 Co 5.17
a)     Novos Projetos. Temos a possibilidade de fazer ou refazer aquilo que não conseguimos fazer ou completar.
b)    Teremos uma nova mentalidade, mas aberta para a realidade que vamos viver.  “Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo”. 1 Co 2.1
c)     Seremos pessoas melhores, com boas obras, fé e um verdadeiro testemunho.

2.     Faremos tudo para dar certo. “tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus” Fl 1.6
a)    Estaremos muito mais unidos do que antes.
b)    Estaremos ajudando-nos e ao nosso próximo, sem medir a sua cor, raça, religião, oposição sexual, etc.
c)    Estaremos mostrando que não somos uma farsa (um embuste, mentira ardilosa). Que não somos figurante de novelas da rede globo ou dos dez mandamentos, que não somos cabeça de gado, que não somos somente números do rol de membros para servi de estatística.

3.     Faremos conforme a vontade de Deus. “não servindo somente à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus”. Ef 6.6 Deliberação, determinação, decisão que alguém expressa para que seja cumprida ou respeitada.
a)     A vontade de Deus é fazer o bem. “Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal”. 1 Pd 3.17
b)    A vontade de Deus é que os homens não usurpem (apossar-se de ou toma a força ou tomar para si, apropriar-se) a sua obra. “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade” 1 Pd 5.2

4.  Faremos diferente dos outros. “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento... para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Rm 12.2

a)    Seremos diferentes: não excluiremos os diferentes ou os desiguais. “Veio uma mulher de Samária tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. Pois seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida. Disse-lhe então a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (Porque os judeus não se comunicavam com os samaritanos.) Respondeu-lhe Jesus: Se tivesses conhecido o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe terias pedido e ele te haveria dado água viva. Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que tirá-la, e o poço é fundo; donde, pois, tens essa água viva?” Jo 4.7-11
“Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam” Rm 10.12

b)    Sermos diferente para fazer a diferencia.  No caráter, na moral e na espiritualidade, na ética, na decência, na honestidade e na verdade “Então vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não serve” Ml 3.18

“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade” Ef 2.14-16

Deus nos abençoe...
E tenha Misericórdia do povo brasileiro 
E de sua igreja.
Um abraço a todos e feliz 2016

Pr. Capelão Edmundo Mendes Silva  

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O PERIGO DA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Tendência à convivência pacífica entre credos diferentes no Brasil tem sido cada vez mais posta em xeque, de uma forma que as autoridades não podem ignorar.

A tolerância religiosa no Brasil nunca foi pura e simplesmente uma medida imposta por decreto. É, antes disso, um aspecto cultural. Por um lado, foi preciso incluir na Constituição artigo resguardando a liberdade de culto e proteção contra a discriminação, porque tais garantias não seriam naturais; por outro, a convivência entre credos distintos foi facilitada pela formação do povo. A miscigenação e a intimidade entre a casa-grande e a senzala resultaram em mecanismos de acomodação, como o sincretismo que uniu religiões aparentemente tão diferentes quanto o catolicismo e o candomblé. Na Bahia, por exemplo, eles se misturaram.
No entanto, a tendência à convivência pacífica tem sido cada vez mais posta em xeque, e de uma forma que as autoridades não podem fazer vista grossa. A série de reportagens publicada pelo GLOBO semana passada mostra que os fiéis da umbanda e do candomblé — 600 mil pelo Censo 2010 — foram vítimas de 22 das 53 denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, de janeiro a 11 de julho deste ano. Além disso, um estudo da PUC-Rio registrou que, num grupo de 840 terreiros, 430 foram alvo de discriminação, sendo 57% dos casos em locais públicos.
Os ataques vão de manifestações de preconceito na escola e no trabalho a ofensas pessoais, ameaças, danificação de imagens e até a destruição de terreiros. A mãe de santo Conceição de Lissá, em Duque de Caxias, viu seu terreiro ser atacado oito vezes nos últimos oito anos. Em pelo menos um episódio, fanáticos usaram gasolina para atear fogo no quarto dos artigos usados nas cerimônias. Ou seja, além da humilhação e do dano moral, a integridade física dos fiéis está em risco.
A intolerância, por si só, já é inaceitável. Seja contra orientação sexual, etnia ou crença. Trata-se de um comportamento criminoso que deve ser punido como manda a lei.
Se a sociedade se mobiliza, mais obrigações ainda tem o poder publico, que deve ficar atento e ser ágil nas investigações. Caso a intolerância não seja punida exemplarmente, fiéis movidos pela absurda presunção de superioridade poderão se sentir encorajados a prosseguir, porque, afinal, estariam agindo “em nome de Deus". E é justamente assim que pensam radicais responsáveis por guerras milenares e terrorismo pelo mundo afora.
Leia mais sobre esse assunto em: 

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA É CRIME DE ÓDIO E FERE A DIGNIDADE
O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião são crimes inafiançáveis e imprescritíveis.

Celebração no Rio de Janeiro pede respeito à liberdade religiosa, em 21 de janeiro, com presença de adeptos de diversas tradições de fé.
A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a crenças e práticas religiosas ou a quem não segue uma religião. É um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana.
O agressor costuma usar palavras agressivas ao se referir ao grupo religioso atacado e aos elementos, deuses e hábitos da religião. Há casos em que o agressor desmoraliza símbolos religiosos, destruindo imagens, roupas e objetos ritualísticos. Em situações extremas, a intolerância religiosa pode incluir violência física e se tornar uma perseguição.
Crítica não é o mesmo que intolerância. O direito de criticar encaminhamentos e dogmas de uma religião, desde que isso seja feito sem desrespeito ou ódio, é assegurado pelas liberdades de opinião e expressão. Mas, no acesso ao trabalho, à escola, à moradia, a órgãos públicos ou privados, não se admite tratamento diferente em função da crença ou religião. Isso também se aplica a transporte público, estabelecimentos comerciais e lugares públicos, como bancos, hospitais e restaurantes.

Presidente da CDH, Ana Rita faz duras críticas ao deputado Marco Feliciano.
Ainda assim, o problema é frequente no país. Algumas denúncias se referem à destruição de imagens de orixás do candomblé ou de santos católicos.
Ficou famoso no Brasil o pastor da Igreja Universal do Reino de Deus Sérgio Von Helder, que, em 1995, chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em rede nacional de TV. Há também casos de testemunhas de Jeová que são processadas por não aceitarem que parentes recebam doações de sangue, de adventistas do Sétimo Dia a quem não são dadas alternativas quando não trabalham ou não fazem prova escolar no sábado, e de medidas judiciais que impedem sacrifício de animais em ritos religiosos, entre outros.
Em janeiro, a TV Bandeirantes foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo por desrespeito à liberdade de crenças porque, em julho de 2010, exibiu comentários do apresentador José Luiz Datena relacionando um crime bárbaro à “ausência de Deus”. “Um sujeito que é ateu não tem limites. É por isso que a gente vê esses crimes aí”, afirmou o apresentador. A emissora foi condenada a exibir em rede nacional, no mesmo programa, esclarecimentos sobre diversidade religiosa e liberdade de crença.

Denúncias cresceram mais de 600% em um ano; crenças de matriz africana são as que mais sofrem ataques.
A quantidade de denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República cresceu mais de sete vezes em 2012 em relação a 2011, um aumento de 626%. A própria secretaria destaca, no entanto, que o salto de 15 para 109 casos registrados no período não representa a real dimensão do problema, porque o serviço telefônico gratuito da secretaria não possui um módulo específico para receber esse tipo de queixa. Ou seja, muitos casos não chegam ao conhecimento do poder público. A maior parte das denúncias é apresentada às polícias ou órgãos estaduais de proteção dos direitos humanos e não há nenhuma instituição responsável por contabilizar os dados nacionais.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir) também não possui dados específicos sobre violações ao direito de livre crença religiosa. No entanto, o ouvidor do órgão, Carlos Alberto Silva Junior, diz que o número de denúncias de atos violentos contra povos tradicionais (comunidades ciganas, quilombolas, indígenas e os professantes das religiões e cultos de matriz africana) relatadas à Seppir também cresceu entre 2011 e 2012.
Caminhada no Dia Contra Intolerância Religiosa, em Fortaleza. Data foi criada em 2007, após morte de líder do candomblé.
Muitas agressões são cometidas pela internet. Segundo a associação ­SaferNet, em 2012, a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos ­recebeu 494 ­denúncias de intolerância religiosa praticadas em perfis do Facebook. O mundo virtual reflete a situação do mundo real. De 2006 a 2012, foram 247.554 denúncias ­anônimas de páginas e perfis em redes sociais que continham teor de intolerância religiosa.


Ministra da Seppir, Luiza Bairros ressalta a gravidade das agressões
A tendência é de queda: de 2.430 páginas em 2006 para 1.453 em 2012. Mas a tendência não significa que o número de casos reportados de intolerância religiosa tenha diminuído. “Uma das razões é a classificação feita pelo usuário. Mesmo páginas reportadas por possuir conteúdo racista, antissemita ou homofóbico têm, também, conteúdo referente à intolerância religiosa”, explica Thiago Tavares, coordenador da central.
Os dados foram ­divulgados pela Agência Brasil este ano no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro. A data foi instituída em 2007 pela Lei 11.635, em homenagem a Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, do terreiro Axé ­Abassá de Ogum, de Salvador. A religiosa do candomblé sofreu um enfarte após ver sua foto no jornal ­evangélico Folha Universal, com a manchete “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada a indenizar os herdeiros da sacerdotisa.
A ministra da Seppir, Luiza Bairros, disse, nas comemorações de 21 de janeiro, que os ataques a religiões de matriz africana chegaram a um nível insuportável. “O pior não é apenas o grande número, mas a gravidade dos casos. São agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades. Não se trata apenas de uma ­disputa religiosa, mas também de uma disputa por valores civilizatórios”, disse.
Na ocasião, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República lançou um comitê de combate à intolerância religiosa. A ­iniciativa pretende promover o direito ao livre exercício das práticas religiosas e auxiliar na elaboração de políticas de afirmação da liberdade religiosa, do respeito à diversidade de culto e da opção de não ter religião.
O comitê terá 20 integrantes, sendo 15 deles representantes da sociedade civil com atuação na promoção da diversidade religiosa. Ainda sem data definida para começar efetivamente a funcionar, o comitê depende de um edital que selecionará os integrantes.
No período, passou de 31% para 37% a proporção de países com nível elevado ou muito alto de restrições. Entre os países com as maiores restrições governamentais (leis, políticas e ações para limitar práticas religiosas), estavam Egito, Indonésia, Arábia Saudita, Afeganistão, China, Rússia e outros que somaram 6,6 pontos ou mais em um índice de máximo 10. O Brasil aparece, junto com Austrália, Japão e Argentina, em nível baixo, entre os países com 0 a 2,3 pontos.

Mesmo nos países com nível moderado ou baixo de restrições, houve aumento da intolerância. Nos Estados Unidos, por exemplo, houve uma proposta — ­rejeitada pela Justiça — de declarar ilegal a lei islâmica. Na Suíça, foi proibida a construção de novos minaretes (torres em mesquitas). O aumento dessas restrições foi atribuído a fatores como crescimento de crimes e violência motivada por ódio religioso.

Agora, sem falar das passeatas GAYS, seja: o que significa isto?  TOLERÂNCIA OU INTOLERÂNCIA? 




























INTOLERÂNCIA RELIGIOSA, PREGAÇÃO BÍBLICA E AÇÃO LIBERTADORA

Recebi por e-mail da irmã Esther, um artigo publicado no
Site http://critico.guerreirosdaluz.com.br/, que acusa alguns segmentos das igrejas neo-pentecostais, de buscarem estratégias de crescimento demonizando as religiões não cristãs, em especial as afro-brasileiras.

Não tenho dúvida alguma que alguns setores evangélicos abusam dos rituais de libertação, tornando-os verdadeiros espetáculos da fé. O que não dá para desassociar é a relação entre demônios e religião (devemos repensar e analisar como Jesus nos ensinou a realizar de forma eficiente os trabalhos de libertações feitos pelas igrejas neo-pentecostais, com unção divina e amor, sem que venha caracterizar humilhação e depreciação em qualquer tipo de atitude – Pr. Edmundo Mendes Silva).

O Novo Testamento é claro (eu ainda creio na Bíblia como Palavra de Deus), independente de qualquer argumento psicanalítico, antropológico, sociológico, teológico etc, que os demônios se instrumentalizam da religião para escravizar e oprimir o ser humano, afastando-o de Deus, destruindo pessoas, famílias e povos:
"Ao retirarem-se eles, foi-lhe trazido um mudo endemoninhado. E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel! Mas os fariseus murmuravam: Pelo maioral dos demônios é que expele os demônios”. (Mt 9.32-34)
"E, naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho. Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia de prata nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices, Aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Senhores, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade; E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos. E não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram." (Atos 19.23-27)

"Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa?Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios." (1 Co 10.19-21)

Como Pastor e teólogo vejo que para pregar o evangelho, definitivamente não é necessário demonizar as pessoas que não são de uma religião, afinal o evangelho é Pleno em toda a sua ação de anúncio da boa notícia da encarnação do Verbo divino, e a redenção realizada em Cristo por amor gracioso pela humanidade perdida.
Não concordo que a visão principal da bíblia e dos ensinamentos de Jesus era humilhar, escarnecer e tripudiar da fé alheia, mas sim levar e instaurar o REINO DE DEUS e não uma igreja com o nome “Reino de Deus” e sim todas as igrejas de Cristo na face da terra e que La estiver operando, conforme os seus ensinamentos, fora disso não é igreja de Jesus.
É preciso também deixar claro que o "evangelho da boa notícia" é também o "evangelho da denúncia do pecado, da libertação, da restauração e da cura". É o evangelho da proclamação sem omissão da verdade.
"E CHEGARAM ao outro lado do mar, à província dos gadarenos. E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo; O qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender; Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguém o podia amansar. E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras. E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes. (Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito imundo.) E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos. E rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província. E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar. E os que apascentavam os porcos fugiram, e o anunciaram na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o que era aquilo que tinha acontecido." (Mc 5.1-14)

Pelo visto, Jesus e Paulo enfrentariam algumas dificuldades em nossa época, como enfrentaram em seu próprio tempo e contexto. Essas acusações de preconceito e agressão às religiões não são novas. O fato é que nem Jesus nem Paulo tiveram preconceito pelas pessoas, simplesmente denunciaram o engano, o pecado e a ação demoníaca em algumas religiões, proclamando libertação aos cativos, restaurando a vista aos cegos e pondo em liberdade os oprimidos (Lc 4.14-18 “Então voltou Jesus para a Galiléia no poder do Espírito; e a sua fama correu por toda a circunvizinhança. Ensinava nas sinagogas deles, e por todos era louvado.Chegando a Nazaré, onde fora criado; entrou na sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; e abrindo-o, achou o lugar em que estava escrito:O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos”).
"E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu. E, vendo seus senhores que a esperança do seu lucro estava perdida, prenderam Paulo e Silas, e os levaram à praça, à presença dos magistrados. E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade" (Atos 16.16-20)

Querem calar a voz profética da igreja no presente, assim como no passado, pela força da lei. Observem este comentário:
"Deve-se ter cautela com esses atuais métodos de Libertação Espiritual adotados por alguns segmentos evangélicos no Brasil, pois a demonização de outras religiões pode ser encarada como crime de discriminação ou preconceito de religião de acordo com o artigo 20 da Lei n.º 7.716/89, modificada pela Lei 9.459/97, que condena o ato de “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de religião”, sendo que isso cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, gera a reclusão de dois a cinco anos. (Cf.http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=124299 ).

"O Art. 208 do Código Penal também afirma ser crime “contra o sentimento religioso”, o ato de “escarnecer de alguém, publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.
Sou contra qualquer tipo de escarnecimento de pessoas e por qualquer motivo, contra qualquer ato de perturbação ou violência contra objetos ou lugares onde cerimônias religiosas são praticadas, mas sou favorável à pregação bíblica. O que a Bíblia diz que é pecado é pecado. O que a Bíblia chama de demônios são demônios, o que a Bíblia chama de falsa doutrina é falsa doutrina, o que a Bíblia chama de Espíritos enganadores são espíritos enganadores. O que a Bíblia diz ser a verdade, é a verdade.

Vivemos um momento onde as pessoas querem liberdade para ser e fazerem o que quiserem, mas não querem dar liberdade para questionamentos e contestações. A Bíblia é questionadora, contestadora e denunciadora. O cristianismo não é apenas uma religião para ser vivida, é também para ser proclamada em toda a sua essência, no amor de Cristo que não omite a verdade que liberta (Jo 8.31-37 “Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos;e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.Responderam-lhe: Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: Sereis livres?Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre.Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não encontra lugar em vós”);

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão”. (Mc 16.15-18)

Sou cristão, vou pregar evangelho e expulsar demônios da vida de quem precisa e deseja libertação, independente da religião que professe (inclusive de evangélicos).

Em meio a isso tudo, fiquei com uma dúvida "legal". O artigo diz:
"Pode-se citar o caso do Juiz de Direito Flávio Marcelo Fernandes, da 37ª Vara Criminal da Comarca da Capital (Rj), o qual recebeu a denúncia da Promotora Márcia Teixeira Velasco, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, contra Isaías da Silva Andrade, pastor da Igreja Evangélica Assembléia de Deus Trabalhadores da Última Hora, por prática de preconceito religioso.

Segundo a denúncia, que cita a reportagem “Ladrão se entrega com Bíblia na mão”, da edição de 27 de novembro de 2007, do jornal “Meia Hora”, Isaías “praticou, de forma livre e consciente, discriminação ou preconceito de religião”, ao declarar sobre Rodrigo Carvalho Cruz, o Tico, acusado de roubar em Ipanema o turista italiano George Morassi que, ao fugir, morreu atropelado: “Ele estava possuído por uma legião de demônios, como o Exu Caveira e o Zé Pilintra. Fizemos uma libertação nele e o convencemos a se entregar hoje.” O pastor disse isso nas dependências da DC-Polinter, onde acompanhava a apresentação de Rodrigo à polícia.

Na opinião da Promotora, o candomblé e seus praticantes “foram atingidos diretamente com a declaração racista e discriminatória, eis que o denunciado vilipendiou entidades espirituais da matriz africana, com a espúria finalidade de proteção de autor de nefasto crime”. (Idem)

Nos casos onde o próprio demônio alega ser Exu Caveira, Pomba Gira, Zé Pilintra, Tranca Rua ou qualquer outra entidade espiritual de qualquer religião, quem será processado? O indivíduo que está expulsando o demônio, o indivíduo de quem o demônio está sendo expulso ou o próprio demônio?


Não é de uma guerra religiosa que estamos tratando (embora muitos quisesse tirar proveito dessas ideias), mas de realidades do mundo espiritual negligenciadas por aqueles que não conseguem ir além dos limites da razão, do concreto, do positivo, do tangível.

veja também: 
http://encontromissoes.blogspot.com.br/2013/06/classificacao-de-paises-por-perseguicao.html

Que Deus em Cristo nos conceda Paz
um abraço para todos

Pr. Capelão Edmundo Mendes Silva

sexta-feira, 29 de maio de 2015

TOLERÂNCIA: VIRTUDE CRISTÃ OU VÍCIO MUNDANO?

A definição de TOLERÂNCIA no Novo Dicionário Aurélio é em parte como segue "... subst. 1. Tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos. 2. Diferença máxima admitida entre um valor especificado e o obtido; margem especificada como admissível para o erro em uma medida ou para discrepância em relação a um padrão."
A primeira definição é normalmente aplicada quando existem fortes diferenças de opinião e, especialmente, quando estão envolvidas crenças e práticas de uma natureza religiosa ou moral. A compreensão normal da segunda definição refere-se aos desvios permissíveis do ideal — tais como "tolerância" mecânica em uma peça, ou comprimento, largura, etc., de alguma aplicação crítica a despeito de sua natureza ou composição exata. Mas, como esperamos ilustrar, essa segunda definição também tem uma aplicação nas crenças e práticas religiosas — por exemplo, a quantidade de desvio de doutrinas longamente estabelecidas que será permitida antes que o fiel resista ativamente às mudanças.
Então o que realmente significa quando somos exortados a tolerar as crenças — especialmente aquelas de natureza religiosa — das quais discordamos?
A resposta não é absolutamente tão simples quanto pode parecer, pois existem de fato graus variáveis de tolerância. Se deixarmos de matar aqueles que blasfemam do nosso Deus ou abraçam crenças totalmente contrárias àquelas que consideramos preciosas, estaremos exercendo tolerância! As cruzadas cristãs foram altamente intolerantes com os muçulmanos e vice-versa. A Igreja Católica Romana foi igualmente intolerante com os huguenotes franceses e muitos outros grupos que considerava heréticos. A história mundial está repleta de relatos da inumanidade do homem com o homem, com inumeráveis guerras sendo travadas e rios de sangue derramados como resultado direto da intolerância religiosa. Neste exato momento, os muçulmanos estão procurando o martírio explodindo a si mesmos em um esforço para matar seus inimigos judeus. Os hindus na Índia estão matando os cristãos. As disputas sectárias continuam sem diminuição durante toda a história humana e a maioria das pessoas não consegue ver uma solução no horizonte. Mas não se engane sobre isto — a trágica e aparentemente infindável demonstração da depravação do homem está sendo desempenhada de acordo com o plano primordial de Satanás. Sua meta de longo prazo sempre foi governar o mundo no lugar de Jeová Deus. Isso é o que o prefixo grego anti significa no termo anticristo. "No lugar de" Cristo — não apenas "em oposição a" Cristo, como o termo significa no português. O Diabo cobiça aquilo que licitamente pertence a Deus e não deseja apenas status igual, mas deseja desalojá-lo totalmente. Não desejar aquilo que pertence a outrem e privá-lo daquilo é a essência do mandamento "Não cobiçarás".

Entretanto, alguns de vocês estão provavelmente perguntando: "O que as guerras sectárias e morticínios têm a ver com o plano de Satanás de governar o planeta Terra?". A melhor forma que conheço de responder é contar uma anedota que ouvi — um homem viu seu vizinho batendo na própria cabeça com um martelo. Quando correu para perguntar por que ele estava fazendo aquilo, o vizinho respondeu "Porque é muito bom quando paro!" O mundo está muito doente e cansado das carnificinas sem sentido e aceitará avidamente qualquer oportunidade aparentemente razoável para acabar com isso. E mais, parece altamente provável que a Terceira Guerra Mundial será deflagrada por Israel e seus inimigos — e quando acabar, o mundo estará ainda mais ávido para adotar quaisquer medidas que sejam consideradas necessárias para pôr fim à insanidade. É claro que a Organização das Nações Unidas tem planos de implementar exatamente tais programas, sendo o princípio central o estabelecimento de uma religião "tamanho único"! Incorporando os "melhores" elementos das várias religiões em uma única religião composta, as causas das contendas sectárias serão removidas e todos viverão felizes para sempre. Então, para ter certeza de que as coisas permanecerão pacíficas, os países serão totalmente desarmados e uma única força mantenedora da paz será estabelecida — uma força armada centralizada. As disputas entre os corpos governamentais de nações individuais serão eliminadas pelo seu desmantelamento e pela colocação de todas as pessoas em todo lugar sob o governo único mundial das Nações Unidas. Bonito, não? Se você ouvir atentamente, poderá ouvir a risada do Diabo por trás da cortina!
Agora vamos falar de tolerância um pouco mais... Matar pessoas que discordam de nossas visões cristãs ou blasfemam de nosso Salvador? Deus proíbe! Aqueles que fizeram isso no passado eram cristãos nominais somente — não genuínos seguidores de Jesus Cristo. Muitas atrocidades foram cometidas em nome de Deus, mas essa atribuição não as torna corretas — nem tem nossa desaprovação a elas desfazer as terríveis coisas que foram praticadas. Podemos apenas pedir pela misericórdia de Deus tanto para os perpetradores quanto para aqueles que perderam suas vidas. Entretanto, apesar de esses erros indefensáveis serem uma mancha no cristianismo, nunca devemos deixar que nos façam perder de vista o fato que há um ponto nas Escrituras sobre o qual devemos nos firmar — mesmo que pareça intolerante ao mundo. Quando a Bíblia diz claramente que alguma coisa é pecado e contraria a vontade de Deus, devemos pregar contra ela por uma questão de princípio. Observe que eu disse "pregar" e não "lutar". O cristianismo bíblico não dá garantias para a violência em defesa da fé, nem qualquer coisa próxima disso. Devemos falar a verdade em amor [Efésios 4.15 “antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”] e não bater com ela na cabeça de alguém! Deus não precisa de nossa ajuda para cumprir seu plano e nosso único trabalho é produzir testemunho da graça de Jesus Cristo — deixando a retribuição para ele. O Israel antigo foi usado por Deus para trazer julgamento sobre os seus inimigos (e os de Israel também), mas você não encontrará a mesma atividade declarada ou mesmo implícita no Novo Testamento no que se refere aos cristãos. Efésios 6.13 diz: "Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes."
Essa é puramente uma postura defensiva, mas requer coragem quando os leões estão para atacar. Falar sobre o mal de os leões devorarem os cristãos nunca será popular entre os leões e se o público vê isso como algo intolerante — então que assim seja. O dia está chegando rapidamente em que fazer isso será uma ofensa legal — um "crime de ódio". Possa Deus ter misericórdia de nossa nação (ou qualquer nação) quando ela classificar os princípios da Palavra de Deus como "crimes de ódio", mas isso certamente parece estar iminente.
Você já se perguntou por que a Cutting Edge é tão dura com a Maçonaria? Por que devotamos tanto tempo e esforço para expor os erros dessa organização? Apesar de o maçom mediano ser totalmente desinformado a respeito do que acontece nos níveis superiores, as crenças centrais da Maçonaria foram expostas muitos anos atrás e todas se encaixam bem com a Nova Ordem Mundial do Anticristo! Muitos ainda não reconhecem isso, mas a tolerância religiosa é o próprio cerne de seu programa e o gnosticismo — a busca pelo "esclarecimento", ou conhecimento — é sua religião. Seus princípios se encaixam como uma mão em uma luva com a ecumênica religião única mundial que está sendo formada para este mundo. Só Deus sabe a extensão em que a Maçonaria e suas organizações fraternais aliadas em todo o mundo se infiltraram nos governos, mas sua inconfundível influência é claramente vista nas ações tomadas por esses governos. Isto é especialmente óbvio nos EUA, onde seus símbolos estão em todo lugar na capital do país e mesmo no dinheiro em nossas carteiras. Muitos dos nossos legisladores tanto no nível estadual quanto no nacional são membros e normalmente de alto escalão na organização maçônica. Como David Bay continua a apontar em seus artigos, a evidência circunstancial de a Maçonaria estar ativamente envolvida na reconstrução do Templo de Salomão em Israel é tão clara que alguém teria de ser cego para não percebê-la! O desenrolar dos eventos já está criando um turbilhão em volta da pequena nação de Israel e o plano de Deus está tomando forma de modo contínuo. Esperamos que a politicamente correta "Polícia do Pensamento" caia em cima daquilo que provavelmente será classificado como intolerância e/ou crimes de ódio. As críticas ao aborto e à agenda homossexual parecem ser dois dos primeiros candidatos à prisão — ambos os quais foram possivelmente apoiados pelos tribunais com o exato objetivo de atrair os pregadores fundamentalistas! Eles sabem que não podemos ser verdadeiros em nossas crenças e continuar silenciosos sobre elas — assim que melhor forma poderia ser forjada para nos silenciar, com a maioria do público aplaudindo e votando neles na próxima eleição? Só o tempo dirá...!

Se você recebeu Jesus Cristo como seu Salvador pessoal, mas vive uma vida espiritual morna, precisa pedir perdão e renovar seus compromissos. Ele o perdoará imediatamente e encherá seu coração com a alegria do Espírito Santo de Deus. Em seguida, você precisa iniciar uma vida diária de comunhão, com oração e estudo da Bíblia.

Que Deus o abençoe.

Pr. Capelão Edmundo Mendes Silva